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Notícias
 

Rastreio Visual Gratuito: 15 de Janeiro
há 1 semana

A coberto do protocolo com a rede de lojas Alberto Oculista, os sócios do CENA-STE terão direito a realizar um rastreio visual gratuito, na nossa sede, no dia 15 de Janeiro de 2018.

Para além deste rastreio, passam agora a existir um vasto conjunto de descontos e vantagens para os membro do CENA-STE, em todo o país e até fora, em qualquer uma das 42 lojas da rede Alberto Oculista. 

Consulte aqui os descontos e vantagens. 

Este protocolo insere-se na Campanha de Sindicalização que recentemente lançámos. Nos próximos meses anunciaremos novos protocolos. 

 

Plenário OPART: 200 trabalhadores aprovam Caderno Reivindicativo
há 1 semana

O plenário realizado ontem no OPART, E.P.E. contou com a presença de 200 trabalhadores. A aprovação unânime do Caderno Reivindicativo proposto, com acrescentos que resultaram da discussão durante as mais de 3 horas que durou esta reunião, são mais uma prova da unidade dos trabalhadores desta empresa. 

O Orçamento do Estado para 2018 apresenta um corte de 2,4 milhões de euros (1,2 milhões em despesas com pessoal) no OPART. Por isso mesmo, grande parte das intervenções centraram-se naquilo que é o não cumprimento da missão artística desta empresa, que causa não só constrangimentos ao nível da produção, como acaba por influenciar em grande medida as condições de trabalho dos vários sector que compõem o OPART.

O plenário demonstrou também uma total rejeição à contínua e, no nosso entendimento, abusiva utilização da Lei 4/2008 neste local de trabalho, confirmando mais uma vez que a aprovação desta lei só veio abrir portas à precariedade em estruturas de criação estatais e não trouxe qualquer aumento de contratação nas estruturas independentes, fragilizando ainda mais o acesso dos trabalhadores do espectáculo e audiovisual a direitos laborais e sociais. Não pode uma estrutura estatal continuar a contratar trabalhadores que ocupam postos de trabalho permanentes a coberto de uma lei que os transforma em trabalhadores com vínculos precários.

Hoje mesmo, e por decisão deste plenário, foram solicitadas reuniões com carácter de urgência ao Ministro da Cultura, grupos parlamentares e Conselho de Administração.

Espera-se também uma forte presença destes trabalhadores na Manifestação Nacional da CGTP-IN, no dia 18 de Novembro.  

OE 2018: E à terceira não foi de vez!
há 1 semana

 

Posição do CENA-STE sobre o OE 2018 para a Cultura

 

O CENA-STE esperou pela audição dos Srs. Ministro e Secretário de Estado da Cultura, ontem, na Assembleia da República, para perceber se aí iriam surgir compromissos para que ainda se observem aumentos nas verbas destinadas à Cultura no Orçamento do Estado para 2018. Infelizmente, nada de novo. Assim, publicamos hoje a nossa posição sobre este OE18, com a certeza que não teremos um horizonte para a Cultura acima de zero.


E à terceira não foi de vez!

É factual, o Orçamento do Estado de 2018 prevê verbas para a Cultura totalmente afastadas daquilo que seria um sinal de aposta política séria no sector, nas suas estruturas e nos seus trabalhadores. Com este OE, mais uma vez, não vislumbramos sequer uma tentativa mínima de dar passos seguros, ainda que lentos, na direcção da meta de 1% para a Cultura.

O governo do PS dá assim seguimento às opções tomadas nos orçamento para 2016 e 2017, destinando à Cultura um papel de figuração no seu projecto político. 

 

O Ministério da Cultura anunciou o aumento global, 10,9%. Esmiuçando para já o número: destes, 10% dizem respeito à RTP (Comunicação), deixando apenas um aumento de 0,9% para a Cultura

 

Mas é preciso ir mais fundo na análise para perceber o quase nada que esta percentagem representa, e o nada que ela vai significar para a esmagadora maioria de trabalhadores e de estruturas de criação e produção, tanto estatais como independentes. 

 

De uma forma global, uma parte significativa deste aumento, vem do aumento de receitas próprias - p.e., venda de bilhetes e receitas do jogo. Apenas na vertente de apoio a projectos há um aumento do investimento público no sector. 

 

Nas artes performativas, temos um aumento de cerca de 4 milhões para a DGArtes. Valorizamos este facto, mas não podemos esconder que mais uma vez este número desilude. Serão cerca de 17.5 milhões de euros - 15 dos quais destinados aos concursos de apoio plurianuais recentemente abertos para as diferentes áreas artísticas - ainda abaixo dos valores com que a DGArtes contava em 2009, antes dos primeiros cortes. 

 

E se olharmos para as verbas plurianual destinadas a estes apoios - orçamentação plurianual que foi uma vitória do sector no Novo Modelo de Apoio às Artes -, verificamos que também os anos de 2019, 2020 e 2021, irão ficar abaixo desses valores de 2009 - 16.5 milhões para os apoios plurianuais. 

 

No cinema e audiovisual, continuamos a afirmar que as verbas disponíveis no ICA para o apoio a está área, deveriam vir directamente do Orçamento do Estado e não de uma taxa consignada que, por decisão de terceiros, pode não ser paga ou o seu pagamento ser protelado, como já aconteceu. E entendendo que aqueles a quem é cobrada esta taxa devem contribuir para o desenvolvimento das produções que sustentam o seu negócio, nada impede que o governo decida começar a acrescentar a esse valor investimento estatal. Teríamos assim a possibilidade de, por exemplo, deixar de financiar uma longa metragem com valores idênticos aos de há 15 anos, criando condições objectivamente melhores para garantir mais direitos laborais e limitar menos as opções artísticas e técnicas das produções. 

 

Para as entidades estatais de criação e para os seus trabalhadores, também as notícias não são boas, serão até as piores. 

 

A Cinemateca tem um aumento insuficiente (300 mil euros) para melhor cumprir a sua função. Para, por exemplo, voltar a apresentar todos os filmes com legendas em português.

 

Os teatros nacionais D.Maria II e São João estagnam, com um aumento de 100 mil euros e 200 mil euros, respectivamente, que deverá ter apenas em conta o anunciado descongelamento de salários e carreiras dos trabalhadores da Administração Pública. Não só este parco aumento é gravoso para o funcionamento interno destes teatros e para o cumprimento do seu papel, como também o esforço das estruturas independentes se mantém. 

 

No D.Maria, por exemplo, é hoje necessário que essas estruturas assegurem pelo menos 40% do orçamento da produção que levarão a cena neste teatro, sendo que muito frequentemente se tratam de estruturas sem apoio plurianual. Ou seja, estas co-produções, na realidade, são perversas financeiramente, pois recai sobre a estrutura independente um grande peso financeiro, apenas colmatado pela descida acentuada dos salários dos artistas envolvidos, normalmente a falso recibo verde.

 

No Centro Cultural de Belém há um corte de cerca de 1,4 milhões de euros, que deixa antever uma diminuição de custos com produção de espectáculos nesta Fundação. Aqui, cerca de 400 mil euros de corte estão relacionados com a externalização dos serviços de restauração e catering, ou seja, menos custos com trabalhadores. Mas estes serviços continuam a existir no CCB, portanto resta saber quanto gasta agora o CCB com eles e em que condições contratuais se encontram os trabalhadores da empresa agora responsável pelo serviço. Observa-se já uma degradação do serviço, o bar dos artistas, que garantia a todos os trabalhadores da casa acesso a refeições normais, foi substituído por máquinas distribuidoras.

 

No OPART, E.P.E., entidade que gere o Teatro Nacional São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado, há um surpreendente corte de cerca de 2,3 milhões de euros, ainda mais surpreendente é perceber que metade deste valor, cerca de 1,1 milhões, são cortes na despesa com pessoal.

Fazendo contas de cabeça à necessidade extrema de reforçar as equipas técnicas do São Carlos e do Teatro Camões, de integrar nos quadros os trabalhadores com vínculos precários que desempenham neste momento funções permanentes e indispensáveis, de ter em conta o descongelamento de salários e carreiras e corrigir várias situações laborais, que devido aos constrangimentos financeiros impostos à estrutura criaram injustiças tremendas para um conjunto significativo de trabalhadores, surge a questão: como será possível reduzir custos com pessoal no OPART?

Haverá despedimentos? Serão propostas reformas antecipadas? Pensam o Ministério da Cultura e o Ministério das Finanças impedir a regularização de situações de precariedade nesta empresa? Não terão estes trabalhadores os seus salários e carreiras descongelados já em Janeiro de 2018? 

 

E no meio de tudo isto, está contemplado para o Fundo de Fomento Cultural um aumento de mais de 2 milhões de euros, aumentando assim os montantes de um fundo que, como temos vindo a chamar à atenção, tem critérios de atribuição bastante opacos e difíceis de escrutinar.

 

Fora das verbas destinadas à Cultura, valorizamos uma conquista que sempre fez parte das reivindicações sindicais, a descida do IVA dos instrumentos musicais de 23% para 13%. Sendo uma medida de grande importância, ele está ainda a meio do ideal, a descida para os 6%.

 

António Costa disse que, se fosse deputado, aprovaria as propostas na especialidade que aumentassem as verbas da Cultura. Ou António Costa, no papel de Primeiro-Ministro, se ausentou da elaboração do OE na altura da discussão das verbas para a Cultura, ou estas declarações são tão vazias quanto as promessas feitas ao sector aquando da campanha eleitoral para as últimas Legislativas.

 

Em conclusão.

Mais uma oportunidade se perde, de eliminar o zero vírgula quê? que não permite à Cultura garantir direitos laborais para os seus trabalhadores, potenciar e ver nascer novos projectos artísticos, criar mais postos de trabalho, melhor contribuir para o desenvolvimento artístico, cultural e social do país.

A Cultura acima de zero só será uma realidade quando existir um governo que entenda o papel que deve ser destinado ao sector. Até lá, cabe a todos nós, técnicos, artistas, criadores, produtores, programadores, entidades de criação e produção, organizações representativas, públicos, exigir com cada vez mais convicção o limite mínimo do 1% para a Cultura. E teremos, todos, que aproveitar todos os momentos para levar esta luta até ao fim.


 

CENA-STE em Coimbra
há 1 semana

O CENA-STE esteve ontem em Coimbra, apresentando a sua nova estrutura e objectivos e aumentando o conhecimento sobre a realidade laboral local. Este é o primeiro passo para criação do Núcleo do CENA-STE na Região Centro, que será uma das metas mais importantes para 2018.

Em Coimbra, sente-se bastante o desinvestimento sistémico na Cultura, não permitindo o aparecimento de novas estruturas de criação e mantendo as condições insustentáveis para as existentes e para os seus trabalhadores. A conversa passou por vários pontos e abriu perspectivas de intervenção bastante alargadas. Ganhámos novos associados e recolhemos assinaturas para a "Petição Contra a Precariedade, Pelo Emprego Com Direitosque funcionará, também neste região, como ferramenta de contacto com os trabalhadores. 

Agradecemos ao Sindicato dos Professores da Região Centro a cedência das suas instalações para esta reunião.

Cultura em Luta: Assim não vamos lá! - Sobre o Orçamento para a Cultura de 2018
há 3 semanas

Este comunicado está aberto à subscrição. Basta enviar nome da estrutura ou nome e profissão para cultura.em.luta.plataforma@gmail.com

Assim não vamos lá! - Sobre o Orçamento para a Cultura de 2018

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Dois anos passados de governação do PS, no momento em que é conhecida a proposta de Orçamento do Estado para 2018, a plataforma Cultura em Luta — associação informal de dezenas de estruturas culturais e representativas do trabalho cultural, em todos os seus sectores — vem manifestar a sua profunda insatisfação com o rumo até agora seguido e aquilo que este orçamento revela quanto ao futuro. 

A política cultural do governo do PS não trouxe, no essencial, nenhuma viragem em relação ao desastroso percurso de décadas que nos conduziu até aqui. 

Permanecem as linhas essenciais de desvalorização, de empobrecimento, de elitização, de desresponsabilização e de investimento anémico na actividade cultural. Permanece a degradação do trabalho cultural. Permanece o conflito com o imperativo constitucional de democratização da cultura, que obriga o Estado a disponibilizar os meios à altura dessa missão e das necessidades do povo português. 

Em dois anos, não se verificaram passos sérios no sentido inverso ao das políticas do passado. Não foram e não são apresentadas metas concretas que apontem para um patamar de financiamento substancialmente diferente, adequado às exigências da actividade cultural, consistente com o papel da cultura na sociedade. Continuamos a perder tempo. 

Agravou-se, a devastação que assola a actividade cultural, as suas estruturas e projectos, os grupos e as pessoas que nela trabalham e a promessa de concretização do direito à cultura para todos, em todo o território nacional. A vida cultural empobrece, adoece e morre. O chão social e organizativo de que depende seca para largo tempo. 

Agrava-se também, sempre e crescentemente, a preocupante situação de envelhecimento e não-rejuvenescimento e do inexorável e crescente deficit dos recursos humanos nos organismos públicos dependentes do Ministério da Cultura, tanto ao nível técnico e científico como a nível do atendimento ao público. Este último, especialmente escandaloso quando confrontado com o extraordinário aumento de visitantes em museus e monumentos, mercê do crescimento verificado no sector do turismo. 

A proposta de Orçamento do Estado para 2018 confirma a incapacidade de traçar o novo horizonte necessário e urgente. O investimento do Estado na Cultura não aumenta. São propostos cortes em diversas estruturas e os aumentos apoiam-se, em muitas casos, no hipotético aumento de receitas próprias. Ou o governo aposta num incerto aumento do número de espectadores e de visitas ou tenciona aumentar o preço das entradas nos museus, palácios e monumentos, nos teatros nacionais e noutras estruturas de criação artística a cargo do Estado. Acresce o alto valor das cativações previstas, que têm limitado seriamente a gestão financeira dos organismos e estruturas, e a fraca execução dos orçamentos da cultura ao longo de décadas.

Num quadro de opacidade e de incerteza dos valores da execução, desconhece-se qual a expressão financeira das contrapartidas nacionais necessárias para o recurso a financiamento comunitário. 


Tanto no Orçamento, como nas linhas com que se vai cosendo a política cultural deste governo, cresce exponencialmente a aposta na profunda mercantilização de toda a actividade cultural, fazendo depender o financiamento: da cultura de indústrias como o turismo, a restauração e a produção de eventos; do falso mecenato e de interesses empresariais e corporativos; e do agenciamento ideológico, através de programas que impõem temas, formatos e dinâmicas de conteúdo propagandístico. 

Acrescem ainda os esforços evidentes e perigosos de desresponsabilização do Estado central dos seus deveres constitucionais de garantia da democracia cultural, na entrega de competências para a esfera regional e local, num país de profundas desigualdades e carências, com a perda de rigor e de exigência, e com dispersão de meios e capacidades. 

Decrescem os valores destinados aos salários dos trabalhadores do Estado, fazendo prever que prosseguirá o emagrecimento do serviço público, que dita já hoje a incapacidade de, cumprir a sua missão, com qualidade e em todo o território. 

A proposta de Orçamento do Estado para 2018 mantém a cultura no grau zero do financiamento. Espelha assim o nível de indigência da política cultural do governo que prolonga uma história de décadas de desresponsabilização do Estado.

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A plataforma Cultura em Luta reafirma a sua exigência de uma nova política cultural, assente num esforço determinado de democratização da cultura e de construção de um verdadeiro serviço público de cultura, no estrito cumprimento da Constituição da República. 

Reafirmamos a exigência de combate à degradação do trabalho na cultura, investindo no emprego estável e com direitos, designadamente com a reposição das carreiras BAD e dos museus, e no combate sustentado à precariedade, apoiando as estruturas na prossecução desse objectivo. 

Reafirmamos a exigência de combate ao trabalho não-remunerado, que alastra, rouba emprego, degrada o tecido social, afecta a sustentabilidade e o futuro da actividade cultural. Para tal, devem ser definidos com clareza e rigor os limites do trabalho voluntário. 
 
Reafirmamos a exigência de elevação imediata do financiamento para um patamar que o aproxime a passos firmes do 1% do OE até ao final da legislatura, com vista a alcançar gradualmente 1% do PIB para a cultura. Que esse caminho possa ser começado já, na discussão da especialidade do OE. 

A plataforma Cultura em Luta não aceita que a engenharia orçamental, a obsessão economicista do défice e limitações inaceitáveis aos imperativos da Constituição da República Portuguesa possam servir de pretexto para não fazer aquilo que tem de ser feito, na cultura como no país.
Reafirmamos a exigência de uma viragem política assente no programa de 12 eixos — Um Horizonte para a Cultura, firmado no ano passado por mais de 60 estruturas culturais e representivas do trabalho cultural, nacionais, regionais e locais e centenas de personalidades.

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A plataforma Cultura em Luta apela a todas as organizações e cidadãos, entre as quais as organizações, trabalhadores e activistas da cultura, que subscrevam, divulguem e ponham em prática o seguinte plano de acção:

  1. Subscrição e divulgação, em todo o país, do presente comunicado conjunto, por todos os meios disponíveis, seja através da sua difusão electrónica, em papel ou através de leituras em locais públicos.
  2. Realização de iniciativas próprias de difusão desta posição, de debate e de protesto e de exigência de uma nova política cultural e de um reforço substancial do Orçamento do Estado para 2018.
  3. Participação na Acção “A Cultura não se fica!”, no dia 6 de Novembro de 2017, às 18h, no Campo das Cebolas, em Lisboa, ou noutras cidades onde acções idênticas se vierem realizar. 
 25 de Outubro de 2017
O Grupo de Coordenação da plataforma Cultura em Luta
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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