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Emprego sim, mas com salários dignos!
há 236 semanas

Diálogo ficcionado entre uma Empresa Anónima Líder de Mercado - sector das dobragens - e um técnico/a de som candidato/a à oferta de emprego desta empresa:

Empresa Anónima Líder de Mercado: Queres trabalhar para nós?

Técnico/a de som: Sim, quais são as condições?

EALM: Salário Mínimo Nacional e subsídio de alimentação, mas somos líderes de mercado, pode ser importante para ti.

TS: (silêncio) Não, obrigado!

Esta resposta é aquela que gostaríamos que todos os técnicos e técnicas de som dessem a esta e outras empresas que, aproveitando-se do elevado número de desempregados no sector, oferecem salários e cachets totalmente afastados das tabelas existentes para as diferentes profissões. Ainda para mais quando falamos de trabalhos especializados que exigem formação académica ou profissional e um elevado grau de precisão, concentração e pressão no trabalho, de modo a cumprir prazos normalmente demasiado apertados.

A oferta de emprego a que nos referimos foi encontrada no sítio cargadetrabalhos.net e pode ser lida aqui. Como muitas vezes estes anúncios são apagados, aqui fica a transcrição: 

Estúdio de dobragens líder no mercado, procura Técnico de Som com pratica de captação de diálogos através do sistema Pro Tools.

Oferecemos salário mínimo nacional e subsidio de alimentação.

Empresa: Anónimo
Local: Lisboa
Tipo: Full-time;

Aconselhamos todas e todos os profissionais do sector a rejeitar esta oferta e, se assim acharem por bem, pedimos que lhe respondam explicando porque é que este trabalho tem de ter uma remuneração que corresponda aos requisitos pedidos. Não é novidade que as empresas do sector das dobragens têm vindo a reduzir os salários e cachets, essa descida atingiu há muito tempo valores inaceitáveis. Dado que não é explícito na oferta, fica ainda por saber se este posto de trabalho corresponderá a um contrato de trabalho ou a um falso recibo verde.
 
São as e os trabalhadores que diariamente constroem empresas "líderes de mercado", por isso mesmo afirmamos: Emprego sim, mas com salários dignos!