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Cenas Abertas - Núcleo do Algarve
há 413 semanas

Doravante, iremos dar voz a relatos de um músico do Algarve, sobre o panorama que em muito afecta os profissionais deste setor na animação hoteleira.

 

MÚSICOS INDEPENDENTES - [ I ]

 

"Caros Senhores

 

Na condição de trabalhador independente, e músico, profissão que escolhi desde há muito tempo, venho por este meio dar voz aos injustiçados e inconformados, aos que receiam de ter voz e de represálias consequentes, aos críticos desacreditados e conformados que ainda atuam no Algarve. Falo de mim e de todos nós. Nós, artistas!! Artistas que escolheram a arte como meio de subsistência ou simplesmente, uma forma de se expressarem nesta vida.

 

Ao pesquisar a palavra arte, obtive este significado: “Arte é a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de perceção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular esse interesse de consciência em um ou mais espetadores, e cada obra de arte possui um significado único e diferente”. Partindo deste princípio, a palavra ARTE já por si, exige algum respeito e quem respeita a ARTE, deverá também respeitar quem a pratica. Infelizmente tal não acontece, e as razões são várias.

 

O problema é que hoje, e cada vez mais, o objetivo de estimular as emoções e ideias nos espetadores torna-se cada vez mais difícil. Ora vejamos:

 

Material

Como músico que sou e por muito que me custe, é necessário um investimento anual em equipamento musical. Equipamento musical que pode rondar entre os 10€ e 10000€. O mesmo equipamento musical tem uma sobretaxa de IVA de 23% o que faz com que a compra de um instrumento musical, não seja para todos! Não faz o mínimo sentido o estado restringir a cultura desta forma. Quem queira aprender um instrumento para poder fazer um recital terá que comprá-lo. Quem queira se juntar a uma banda filarmónica sem fins lucrativos, terá que investir num instrumento. Um músico a quem se exige tudo e mais um pouco, também não se safa, paga mais 23% pela sua ferramenta e é se quer trabalhar! Este imposto não faz sentido e é contraproducente!

 

Trabalho Precário

Quando falo em trabalho precário, refiro-me a preços OFERECIDOS aos músicos/artistas que em nada se comparam com as tabelas de referência do CENA ou dos valores médios que deveriam ser praticados pelos próprios. Vejamos... Sem querer generalizar, em alguns casos, os valores pagos a músicos a solo ou a duo, conseguem ser 60% do que os valores da tabela de referência do CENA. Valores que não correspondem aos valores reais do mercado e que por norma são praticados por algumas entidades empregadoras (hoteleiros & empresas de agenciamento). No que diz respeito a espetáculos temáticos (ilusionismo, dança, folclore), os valores variam entre – 40% 60% para menos!!! Quem pratica estes preços no Algarve? Eis a questão… !"

 

 

Em breve, publicaremos novos relatos.