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Mensagem CENA-STE Dia Mundial do Teatro 2018 - Manuel Coelho
Mensagem Europeia do Dia Mundial do Teatro
Sobre os concursos de Apoio às Artes e o remendo extraordinário: Um milhão e meio sector
CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO TEATRO DA ZARZUELA
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Mensagem CENA-STE Dia Mundial do Teatro 2018 - Manuel Coelho
há +77 semanas

Mensagem CENA-STE, Dia Mundial do Teatro 2018

O CENA-STE pediu a Manuel Coelho, actor do Teatro Nacional D. Maria II e membro da Comissão de Trabalhadores, para escrever uma mensagem para o 27 de Março, Dia Mundial do Teatro.

Agradecemos ao Manuel este texto e esperamos que ele ajude a consciencializar ainda mais a classe sobre a necessidade de nos unirmos, estarmos mais organizados e fazermos mais forças e mais esforços na luta pela conquista de direitos que nos continuam a ser vedados. 

 

 

 

 

Teatro para que te quero?

Será esta a dúvida sistemática do nosso Estado de Direito?

Ao longo dos já quarenta e quatro anos de democracia vimos assistindo a uma constante demissão dos vários governos e parlamentos relativamente às artes, e em particular ao teatro em Portugal.

Tal demissão tem levado a que qualquer jovem que opte por seguir uma carreira artística tem pela frente uma tarefa herculeana onde na maioria dos casos a incerteza e angústia de cumprir os seus sonhos se impõem aos estados de alma levados à cena, onde o coração de cada artista se abre para usufruto das mentes de quem assiste às suas actuações unindo energias, abraçando e criando espaço a um mundo melhor.

O abandono a que a comunidade artística teatral está votada não se deve apenas à insuficiente política de apoio financeiro, mas antes à inexistente legislação do sector a qual o deixa à mercê de enormes injustiças, um sector que vem acumulando vítimas cada vez mais visíveis, após quarenta e quatro anos de democracia, onde dezenas de artistas se encontram no limiar da pobreza. Artistas, que fizeram do teatro a sua primeira casa, e que se vêem hoje confrontados com reformas de miséria por lhes terem sido vedados contratos durante as suas carreiras que lhes permitissem usufruir de vencimentos condignos.

Quarenta e quatro anos volvidos após a revolução de Abril continuamos a assistir a uma enorme e insustentável subcontratação e a um constante triturar de talentos, os quais saídos das escolas cheios de esperança, e fervendo de vontade de se expressarem, são empurrados para a rápida emancipação, não lhes sendo dado espaço para o crescimento, ficando confinados a uma de duas possibilidades, ou apresentam os seus próprios projectos e os submetem a apoios pontuais, esperando ser bem sucedidos no apoio, ou encontram, na maioria dos casos, o desemprego como estação mais próxima.

Quarenta e quatro anos volvidos após a revolução de Abril assistimos a uma classe que vê aumentar os índices de precariedade, que geram cada vez mais injustiças aumentando a pobreza entre os seus pares.

Hoje podemos afirmar sem receios, que a comunidade teatral não vive no teatro, sobrevive, e assim vai caminhando dia após dia, nesta desertificação de mercado, para a desprofissionalização, onde, cada vez mais, vai imperando a desconsideração como forma de submeter e subjugar os artistas confrontando-os diariamente com a ideia implacável e sistemática do ser descartável.

Quarenta e quatro anos volvidos após a revolução de Abril assistimos a uma comunidade submetida ao vazio legal onde a falta de certificação e regulamentação colectiva a expõe a uma deriva de quem navega sem rumo e onde nenhum vento será favorável.

Em cada dia que passa vamo-nos reinventado desafiando os tempos que vamos vivendo, mas até quando?

Continuamos a assistir, governo após governo, a regras de atribuição mecânica de subsídios onde o Estado, cómoda e perversamente, se descarta de imediato, no ato da atribuição, dos efeitos e resultados dos mesmos, não querendo saber de que forma e em que contextos foram utilizados, provocando um sistemático triturar da comunidade artística entre si.

É urgente uma reforma, objectiva e participada, da concessão de subsídios às artes, ouvindo não apenas os contratantes mas também os contratados, reforma, onde o espaço a várias estéticas e percursos seja possível, onde seja contemplada a obrigatoriedade de contratação real e condigna da comunidade artística, onde seja assumido, de forma transparente e frontal que quando um elemento dessa comunidade é responsável pela execução de um subsídio é uma entidade contratante com todas as responsabilidades inerentes a tal.

Quarenta e quatro anos volvidos após a revolução de Abril, cremos, e ainda acreditamos, que é possível, sonhar, inspirar, e encantar um mundo cada vez mais fechado em si.

Um contrato de trabalho não pode ser considerado um privilégio mas sim um direito e é por esse direito que nos devemos unir e lutar para que de forma digna, respeitada e livre possamos exercer a nossa profissão.

O teatro e os seus fazedores desafiam a cada momento criador o espaço e o tempo e vão-se reinventado e gerando diferenças, mas esses desafios só podem crescer e desenvolver-se, plenamente, em liberdade.

Cremos e acreditamos que é possível, ter leis que protejam o teatro e os seus fazedores.

Cremos e acreditamos que é possível, ter segurança, e viver dedicado às artes.

Cremos e acreditamos que os custos das artes são bem menores do que os custos do analfabetismo, da marginalidade, e da delinquência.

Cremos e acreditamos que juntos vamos encontrar os caminhos que nos desvendem horizontes e nos permitam cumprir o maravilhoso direito de criar.

Cremos e acreditamos que há espaço para várias estéticas e percursos onde o respeito pela diferença impere.

Cremos e acreditamos que é possível sonhar.

Nós queremos-te muito!

Viva o TEATRO!