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Continuamos sem ópera: greve prossegue no OPART, E.P.E.
há 2 semanas

Continuamos sem ópera: greve prossegue no OPART,E.P.E.

Depois de ontem o Conselho de Administração do OPART, E.P.E.(CA) e o governo terem decidido suspender as negociações em curso com o CENA-STE, os trabalhadores da empresa, reunidos hoje antes da estreia da ópera La Bohéme, decidiram manter as greves agendadas. Os trabalhadores consideraram que este novo revés é inaceitável visto que neste momento, para que haja acordo total e se inicie a negociação séria e com tempo do Regulamento Interno de Pessoal (RIP), subsiste apenas um ponto, mas que é aquele que originou todo este processo: a harmonização salarial dos técnicos do Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) com os da Companhia Nacional de Bailado (CNB) com o compromisso firmado pelos três organismos.
 
Os trabalhadores e o CENA-STE, continuam disponíveis para considerar a revisão da sua posição mas não aceitam que CA e governo continuem a não resolver este ponto crucial, visto que também estes já admitiram que a situação laboral destes trabalhadores é injusta e não respeita a norma de trabalho igual, salário, igual. É também importante relembrar que as actuais greves foram marcadas depois do CA e do governo terem rompido um anterior acordo escrito com datas explícitas para a efectivação desta harmonização. 
 
Foi ainda decidido que os bailarinos e técnicos da CNB que nos dias 11 e 12 de Junho irão estar na China em espectáculo, com a presença de representantes estatais, nomeadamente a Ministra da Cultura, Dra. Graça Fonseca, irão estar em protesto, recusando a presença em qualquer iniciativa agendada pelas entidades nacionais e rejeitando qualquer tipo de encontro protocolar com essas entidades antes e depois dos espectáculos. 
 
Esta manhã, o Presidente da República, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, contactou os representantes sindicais para se inteirar da situação. Durante a tarde o CENA-STE esteve reunido com assessores culturais e jurídicos do seu gabinete e saímos desta reunião com a nítida sensação de que ficou a Presidência com a noção clara da forma pouco ponderada e equívoca com que o CA e o governo geriram toda esta situação. 
 
Tal como ontem informámos, a harmonização salarial entre técnicos das duas "casas" arrasta-se desde Setembro de 2017 e desde essa altura que CA e governo foram alterando a sua versão sobre o que era necessário para desbloquear a situação. Não deixa de ser sintomático que quando os técnicos do TNSC marcaram greve ao espectáculo L´Etoile - depois desmarcada com a garantia do acordo acima mencionado e posteriormente incumprido -, tenhamos sido informados que era necessário aprovar um novo RIP, condição que rapidamente aceitámos. Curiosamente, e já durante as negociações desse mesmo RIP, fomos informados que afinal esta questão só poderia ser resolvida em 2020 e, ainda mais incompreensível, seriam desbloqueadas ainda durante 2019, mesmo sem a aprovação do RIP, outras situações laborais que anteriormente também se afirmava só poderem ser alteradas com essa aprovação. 
 
Com um CA e um governo a conduzirem esta situação com um leme estragado, os trabalhadores mantêm o seu rumo e a solidariedade entre todos os sectores da empresa, convictos que continuamos próximos de uma solução que permita que o público possa ainda desfrutar da encenação de uma das mais icónicas óperas mundiais no TNSC.