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Aconteceu ontem um programa televisivo...
há +4 semanas

Aconteceu ontem um programa televisivo para discutir a situação da Cultura. Rapidamente se percebeu que a realidade não tinha sido convidada. Ao alheamento da realidade destes meses junta-se agora a leveza da propaganda gratuita. E nem a situação grave em que estão a grande maioria dos trabalhadores do sector deu azo a alguma perspectiva de alterar a fórmula para garantir que o resultado seja diferente. Não deixa de ser clarificador sobre as políticas seguidas que a Ministra repita até à exaustão, sobre todos os problemas, “que é assim há décadas”.

Veio a repetição de promessas de mais financiamento, promessas que a cada ano que passa não se cumprem, veio o piscar de olhos da velha teoria de que a cultura tem valor se for lucrativa.

Sabendo da situação dramática em que vivem os trabalhadores a Ministra resolveu informar que na próxima semana, juntamente com a Ministra do Trabalho, teria uma reunião com o Cena-STE e outras estruturas integrantes de um grupo de trabalho para discutir questões laborais. Cumpre-nos aqui informar que ao sindicato não chegou nenhuma convocatória para qualquer reunião na próxima semana, que aguarda ainda uma resposta ao pedido de reunião feito à Ministra do Trabalho há dois meses e que convocatórias para reuniões através dos meios de comunicação social são reveladoras da postura do Governo e da sua ausência de respostas e medidas.

No mesmo período em que o Governo que a Senhora Ministra representa distribuiu 15 milhões aos grandes grupos económicos da Comunicação Social e 850 milhões ao fundo especulador que detém o Novo Banco, deixando à cultura uma migalha 500 vezes mais pequena, em que se reabrem salas de espectáculos mas em que fica clara a razão - explica-se na alínea que diz que quem recebe apoio extraordinário da Segurança Social se compromete a começar a trabalhar em 8 dias para que até o fraco apoio aos trabalhadores termine - em que uma grande parte do sector sobrevive com grandes dificuldades e em que os apoios do governo são escassos, ao assistir ao programa a pergunta que se impõe é: A vida das pessoas senhora Ministra, onde é que está a vida das pessoas no meio disto tudo?

Este programa televisivo reflecte o que vimos afirmando: existe uma diferença entre a “cultura” que este Governo quer e a realidade do sector.

O sector exige medidas concretas e urgentes que cheguem aos artistas, aos técnicos, aos trabalhadores da cultura. Exige respostas no imediato e para o futuro, não de promessas requentadas mas de acções que garantam um financiamento de 1% do Orçamento do Estado como medida basilar para construir um sector próspero, que garanta a todos o direito à criação e fruição cultural. O sector precisa não de decalques de realidades distantes mas da garantia que os trabalhadores têm contratos e protecção social. Não de propaganda institucional ao Governo mas de coragem para responder aos anseios, aspirações e desejos daqueles milhares que todos os dias fazem arte e cultura e que, muito antes da pandemia, já exigiam respostas aos seus problemas. O sector precisa de outra política para a cultura. Democrática, de progresso e desenvolvimento, não submetida a orientações neoliberais, como ficou bem patente no referido programa.

No dia 4 de Junho esses estão na rua, em Lisboa, Porto e Faro, a representar muitos que por culpa do tempo que vivemos não podem estar, e a reclamar a urgência do presente, mas também a urgência deste sector para garantir que no futuro o resultado seja diferente.