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A hipocrisia reinou em Guimarães
há +386 semanas

Retirar importância política - com a passagem de Ministério a Secretaria de Estado - e retirar apoios essenciais - através de cortes orçamentais em todas as estruturas artísticas - , foram estas as duas únicas medidas relevantes do actual governo para a Cultura. O Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou em Guimarães, na cerimónia de abertura da Capital Europeia da Cultura, que "a Cultura, sejam quais forem as circunstâncias económicas do país, nunca é um bem menor. Também não é por temporariamente serem mais escassos os recursos públicos dedicados a projectos culturais que a Cultura é menos valorizada. O seu valor nunca poderia ser medido por um Orçamento de Estado". Estamos perante um discurso demagogo e hipócrita.

Já Durão Barroso, agora Presidente da Comissão Europeia, parece ter-se esquecido que no executivo por ele chefiado, a Cultura também ficou no último plano das suas preocupações e utilizou o seu discurso para afirmar a importância do sector, lembrando o aumento de 37% que a União Europeia anunciou para apoio a projectos culturais. Ironicamente ou não, de 37% é também o corte previsto nos apoios da DGArtes para 2012. Quanto ao Presidente Cavaco Silva, que ultimamente tem apresentado algumas dificuldades de expressão, brindou-nos com mais um discurso de exaltação cheio de vazio e lugares comuns.

Mesmo em tempos de crise económica na Europa o sector cultural aumentou o número de postos de trabalho e a sua contribuição para o PIB europeu. É esta a realidade e foi este o argumento que levou a União Europeia a aumentar os seus apoios nesta área. Esta é a política correcta a adoptar para a Cultura também em Portugal, pois sabemos que apesar das enormes e crescentes dificuldades que enfrentamos, não desistimos de criar mais valias artísticas e com isso mais valias económicas.

Esperemos que esta Capital Europeia da Cultura em Guimarães seja um sucesso e que potencialize a criação, promoção e fruição culturais em Portugal, mas é também hipócrita celebrar faustosamente a Cultura num país que se dedica a exterminar o trabalho conseguido pelos agentes artísticos, que tanto têm contribuído para o desenvolvimento humano deste território e para a projecção internacional de Portugal.