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CENA apoiou Protesto dos Professores Contratados e Desempregados
há +332 semanas

"O governo prepara o maior despedimento de sempre. Cerca de 25 mil professores mantidos a prazo ao longo de muitos anos podem cair no desemprego já em Setembro.

O corte de vagas, o aumento de alunos por turma e de horas por professor vai varrer estes profissionais das escolas e prejudicar a qualidade do ensino.
Está na hora de lutar contra a devastação da escola pública, uma luta pela democracia.

Um video do sindicato CENA para o Protesto de Professores Contratados e Desempregados."

Intervenção do CENA no lançamento da Associação de Combate à Precariedade
há +335 semanas

INTERVENÇÃO NA APRESENTAÇÃO DA “ASSOCIAÇÃO DE COMBATE À PRECARIEDADE”

7 de Julho de 2012 – Bar O Século

 

 

 Amigas e Amigos

 

É com grande entusiasmo que nos associamos ao evento que marca a maioridade de um Movimento que, em cinco anos de vida, soube contribuir de forma determinante para a transformação da sociedade portuguesa, para a identificação e tomada de consciência de um dos seus maiores cancros – a segregação laboral, social e humana de sectores crescentes da população.

 

Nas últimas décadas assistimos a fenómenos tectónicos na nossa ordem económica e social. Fenómenos que se exprimem num terrível paradoxo:

 

O desenvolvimento tecnológico e das metodologias do trabalho são responsáveis pela redução drástica das necessidades produtivas (a OIT refere, em estatísticas recentes, que apenas 2,5% da população mundial está actualmente envolvida na produção industrial). Essa ocorrência, que permitiria conceber uma sociedade humana com muito mais disponibilidade para actividades criativas e de lazer, veio - por via da irracionalidade, da crueldade de uma economia promotora da injustiça na redistribuição da riqueza – veio - e pela primeira vez na história da humanidade - gerar exércitos de desempregados e precários.

 

Temos já não a dicotomia tradicional Trabalho – Capital mas uma situação em que o Capital sonega a franjas crescentes da população mundial o direito ao Trabalho e, consequentemente, à Vida.

 

Em Portugal registámos, no último ano, níveis de desemprego e subemprego inimagináveis. E se, em 2012, com algumas panaceias sociais ainda activas – Rendimento Social de Inserção, subsídios de desemprego – vivemos o Ano do Espanto, em 2013, com o seu anunciado fim, entraremos no Ano do Desespero.

 

Se não formos capazes de colocar barreiras tangíveis no curso de desagregação da economia e do Estado Social em que esta governação está empenhada, travando agora as batalhas que se impõem, estaremos a comprometer de maneira dramática as condições de sobrevivência da nossa e das próximas gerações.

 

Num mundo em que a precariedade e o desemprego afligem já mais de 30% da população activa, o combate pelo direito ao trabalho e à vida com direitos assume, necessariamente novas formas.

 

Um Movimento como vem sendo - e será, certamente com mais força e organização a partir de hoje - os Precários Inflexíveis, responde a esse desafio trilhando, com criatividade, com coragem, com denodo, os caminhos da cidadania activa, redescobrindo, e reinventando, no percurso, novas solidariedades.

 

Mas o caminho é árduo e espinhoso.

 

É necessário lograr a transformação de estruturas económicas, empresariais, governativas, sociais e legais esclerosadas, que encaram com naturalidade a nossa actual exclusão.

 

Mas é igualmente necessário promover transformações intestinas, nomeadamente ao nível de um movimento sindical onde, igualmente, não encaixamos, atreito que está a estereótipos de estruturação laboral do período jurássico – aquele em que o trabalho era contratualizado, em que a Man Power só existia nas ficções americanas, em que independentes eram os médicos e os advogados ricos, em que “Verdes” só trazia ressonâncias ecológicas, em que o desemprego era fenómeno negligenciável e em que faltavam professores para as novas escolas e alunos.

 

Os Precários Inflexíveis têm, assim, pela frente, uma acção de consciencialização das estruturas sindicais, da base ao topo, reclamando a sua integração e realizando trabalho conjunto, indispensável, também ele, na renovação e reinvenção dessas mesmas estruturas, anquilosadas por muitas derrotas e acordos duvidosos. Mas mantendo, claro está, a sua independência e organização próprias.

 

De igual modo, a Plataforma dos Intermitentes da Cultura foi um dos eixos matriciais da estruturação do nosso jovem Sindicato - CENA, a par da centenária organização sindical dos Músicos e do Centro Profissional do sector AudioVisual (CPAV). A Plataforma foi responsável por imprimir a este sindicato a dinâmica intranquila de um sector criativo e irreverente que navega a crista da alteridade social, assumindo a intermitência com direitos como condição imanente aos processos de criação cultural e artística.

 

Intermitência que não quer ser sinónimo de precariedade, que se exerce em nome de necessidades intrínsecas da vivência criativa sem abdicar da estabilidade inerente à vida com dignidade e garantias.

A recente experiência da Plataforma dos Intermitentes - petição por uma lei específica, resultando na lei 4/2008 e respectivas alterações na lei 28/2011 - revelou-nos uma grande vontade por parte dos Profissionais do Espectáculo de criar uma entidade que os represente ao nível da concertação social, que responda às questões laborais, de cidadania, valorização profissional e direitos sociais de quem trabalha na Música, no Teatro, na Dança, no Cinema, na Televisão, nas Artes Circenses e nas outras Artes Performativas e Audiovisuais.

Cientes desta realidade, o Sindicato dos Músicos, o Centro Profissional do Sector Audiovisual (CPAV) e a Plataforma dos Intermitentes criaram uma nova organização sindical – o CENA - que representa estes sectores, capaz de organizar e dar voz ao descontentamento, intervindo na actualidade cultural de forma continuada e transversal, coadjuvando os profissionais na negociação das políticas para o sector mas também nas negociações e conflitos ao nível do local de trabalho, sectoriais e colectivos.

 

Para tal usaremos de todos os meios, jurídicos, sindicais, comunicação social e informal, na certeza, porém, de nada poder substituir o dinamismo, o pensamento, a coragem, a intervenção de cada uma e cada um para construir as lutas e uma nova realidade cultural solidária e democrática.

 

No filme de culto Apocalipse Now, um personagem diz, a certa altura, que “o mundo não irá acabar com um BANG mas, antes, com um suspiro”.

Diria que é de um novo BIG BANG social e político que precisamos - a súmula de todos os combates, de todas as irreverências, de todas as incertezas, da participação e empenhamento de todas e de todos.

 

Para não deixar que acabe o nosso mundo.

 

 

Estamos aqui, com os Precários Inflexíveis, nesse desígnio.